20 de setembro de 2011
Imprimir | Indicar a um amigo Não esqueçam os nossos idosos

O relatório mundial sobre a doença de Alzheimer deste ano acaba de ser publicado e explica que o diagnóstico precoce dessa doença e seu tratamento podem melhorar a vida de milhões de pessoas e economizar bilhões de dólares. 

A doença de Alzheimer é a forma mais comum entre as demências, doenças degenerativas do cérebro que se manifestam pela perda progressiva das funções intelectuais. 

Isto é: memória, orientação no tempo e no espaço, cálculo, raciocínio lógico e crítica, dentre outros sintomas. Ela atinge cerca de 10% da população com mais de 60 anos e tem aumento exponencial com a idade. Indivíduos com menos de 60 anos têm um risco anual de desenvolver DA de 1%, dobrando a cada cinco anos e chegando ao pontoem que, se vivermos mais de 90 anos, o risco de ter DA é maior que 50%. 

A medida que o ser humano melhorou suas condições de vida e passou a viver mais tempo, a DA passou a ser uma preocupação de toda a sociedade. Por isso, todo governo que se preze deve priori zar a doença. São 36 milhões de indivíduos diagnosticados com Alzheimer no mundo atualmente, número que aumentará assustadoramente nas próximas décadas. Como a população mundial está ficando mais velha, o número de casos vai dobrar a cada 20 anos. Serão 66 milhões, em 2030, e 115 milhões, em 2050. 

Só em 2010, o custo anual da doença foi de 604 bilhões de dólares, mais que 1% do PIB mundial, o que a torna a doença mais importante economicamente no mundo. Além disso, estamos tratando uma mínima parcela dos doentes. Nos países desenvolvidos, menos da metade dos casos são diagnosticados e nos países menos desenvolvidos como a Índia e o Brasil, apenas 20% dos casos são identificados. 

O estudo afirma que o governo precisa gastar para economizar. O custo médico e socioeconômico anual, para a sociedade, de um indivíduo com demência é de 32.865 dólares. Somem-se a isso 5 mil dólares para o diagnóstico. Mas, ainda assim, o tratamento vale a pena em termos econômicos. O indivíduo tratado sofre menor número de internações, o que gera uma economia total de 10 mil dólares por pessoa. 

Com o programa de dispensa de medicamentos de alto custo, iniciado pelo governo Sarney e incrementado nos governos seguintes, o Brasil oferece, gratuitamente, o tratamento adequado para os que sofrem do mal. Mas ainda há problemas quanto ao diagnóstico precoce e à intervenção terapêutica. 

As conclusões mais importantes do relatório são ainda mais simples: para um diagnóstico precoce da doença é preciso acabar com a crença de que perda de memória é um processo natural de envelhecimento do cérebro e que nada pode ser feito para o indivíduo com demência e sua família. 

0 diagnóstico precoce de uma doença sem cura parece desnecessário, mas não é. Existem hoje medicamentos que melhoram os sintomas e sua eficácia é maior quando utilizado nos primeiros estágios precoces da doença. E importante sabermos que estudos mostram que os pacientes preferem saber que têm Alzheimer no início, enquanto podem planejar sua vida e tomar decisões importantes para o futuro. 

O grupo responsável pelo estudo sugere que cada país tenha um programa estratégico para a doença e capacite seu pessoal na área de saúde para cuidar dos pacientes e dar suporte às famílias. No Brasil, apesar das medicações para demência serem distribuídas gratuitamente, ainda faltam centros para tratamento não medicamentoso, com reabilitação cognitiva e apoio social. O estudo termina com umaimposição para os países mais ricos. Diz que mais di- nheiro em pesquisa deve ser gasto. E que é preciso mais estímulo para que mais cientistas se interessem pelo desafio de encontrar a cura para o "mal do século".



Fonte: Carta Capital | Pág. 75 - Clipado em 19/09/2011




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Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



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