03 de abril de 2017
Imprimir | Indicar a um amigo CÂNCER - pacientes e inovações geram conforto


Passando por mais uma sessão de quimioterapia, ela esboça um sorriso ao comemorar o feito daquela manhã: Estou feliz porque já consegui fazer três refeições. Foram duas doses de suplemento e uma batida algumas horas antes de seguir para o Oncologia Centenário — Centro de Câncer, em São Leopoldo. Aos 54 anos, é a segunda vez que Maria Inês Cletes de Moraes enfrenta o diagnóstico de câncer. Este ano, um tumor no pescoço levou a auxiliar de limpeza de volta à rotina de tratamento — em 2014, ela já havia passado pela retirada de um tumor na garganta. 
Não é fácil. Não consigo dormir direito, é uma dor muito forte. Mas já começo a me sentir um pouco melhor, conta. É para trazer mais conforto a pacientes como Maria Inês e minimizar efeitos colaterais, que recursos para tratar os variados tipos de câncer seguem em constante evolução. Cada novo estudo, descoberta e nova tecnologia implantada significam diagnósticos mais apurados, abordagens mais precisas e maior chance de curabilidade. 

Hoje em dia nós temos muitos avanços que permitem a individualização do tratamento de cada um. Cada tratamento vai ser uma roupa sob medida para aquele paciente, destaca o oncologista Adalberto Broecker Neto, diretor do Oncologia Centenário. O médico cita que, junto com inovações em radioterapia e quimioterapia, a acuracidade em exames preventivos contribui significativamente para o sucesso do tratamento, e usa o câncer de mama como exemplo para explicar: A mamografia é extremamente importante. Porque nós não sabemos a causa do câncer de mama, então não temos condições de fazer prevenção, mas podemos fazer diagnóstico precoce. E o diagnóstico precoce vai permitir uma maior curabilidade da doença por poder ser tratada numa fase inicial.

Broecker usa a expressão cronificação do câncer para descrever o resultado destas evoluções relacionadas ao tratamento da doença. São vários tipos de câncer que surgiram, drogas novas, que estão praticamente transformando aquela doença que era agressiva numa doença crônica. Com isso está aumentando muito a longevidade da pessoa, mesmo sendo portadora da doença em atividade, afirma. O oncologista cita também a perspectiva do surgimento de vacinas contra o câncer no futuro, completando este cenário. Não há dúvida de que nos próximos anos nós vamos ter um número muito grande de novos medicamentos baseados principalmente na diferenciação genética de cada tipo de tumor, e isso se deve principalmente ao sequenciamento do geloma humano, que foi feito há alguns anos.

RETRIBUIR AJUDA

Mas enquanto ainda há diagnóstico de câncer — a incidência é de cerca de 500 mil novos casos ao ano no Brasil — o que aumenta é o desejo que a dona Maria Inês tem de ajudar quem passa pelo tratamento, assim como ela. Sob olhar atento da filha Marina, 18 anos, que a acompanha nas sessões de quimioterapia, a moradora de Sapucaia do Sul anuncia com convicção: Quando eu estiver curada, vou falar da importância de cuidar da saúde. Vou ser voluntária no hospital, quero ajudar as pessoas neste momento em que estão debilitadas. Eu tive pessoas que me ajudaram muito, e agora vou cuidar de quem também precisa de ajuda.

Radioterapia mais sofisticada

O tratamento consiste no uso de radiações ionizantes para destruir ou inibir o crescimento das células anormais que formam o tumor. É o mesmo raio de quando vá fazer um raio x de tórax, mas ele é lançado com mais energia, esclarece Broecker. O tratamento, conforme o médico, passou por várias inovações ao longo dos anos e está cada vez mais sofisticado. No inicio, a radiação acabava atingindo outros órgãos próximos ao tumor, o que acabava trazendo outras complicações, além da doença.Guando ia irradiara garganta, acabava irradiando glândulas salivares e o paciente ficava sem saliva, cita.

Com os aparelhos que existem atualmente, já é possível focar a radiação no ponto exato do tumor. Isso melhora a segurança e diminui os efeitos colaterais. Podemos irradiar tumores de 2 milímetros, destaca. A radioterapia leva minutos e as doses vão se acumulando no organismo. O número de aplicações vai depender do local e do tipo de tumor, mas é um tratamento que pode ser feito por dias seguidos. Entre os métodos disponiveis no centro oncológico de São Leopoldo estão:

RADIOTERAPIA CONFORMACIONAL 3D

Neste tratamento, imagens de tomografia computadorizada, ressonância magnética e tomo-grafia por emissão de pósitrons são transferidas a um computador de planejamento para criar uma imagem tridimensional do tumor, possibilitando que múltiplos feixes de radiação possam ser conformados para o contorno da área-alvo de tratamento, com as margens de segurança determinadas e menos exposição dos tecidos saudáveis.

RADIOTERAPIA DE INTENSIDADE MODULADA

Utiliza imagens de tomografia 3D acopladas a uma programação computadorizada que controla o aparelho de radioterapia. Esta estratégia permite que as doses de radioterapia sejam esculpidas em três dimensões usando de forma exata o desenho de áreas a serem tratadas e protegidas.

RADIOTERAPIA GUIADA POR IMAGEM (IGRT)

Técnica que aprimora a localização do tumor para que o tratamento seja feito com maior segurança e precisão. É feito pelo mesmo equipamento utilizado na aplicação da radioterapia de IMRT com um acessório para o posicionamento exato do paciente antes do tratamento (Portal Vison). Este equipamento produz uma imagem radio-gráfica digital de alta qualidade do posicionamento do paciente no acelerador linear. A técnica de IGRT é indicada para todos os casos, principalmente paratumores pequenos e os localizados em regiões que possuem uma grande concentração de órgãos sensíveis à radiação.

ARCOTERAPIA VOLUMÉTRICA MODULADA

A VMAT consiste no uso da IMRT em campos no formato de arcos, com maior eficácia na conformação da dose em torno do alvo, poupando os órgãos saudáveis ao redor em um tratamento extremamente rápido.

RADIOCIRURGIA

É uma técnica de tratamento não invasiva, que envolve a soma das tecnologias de IMRT, IGRT e VMAT para a administração de altas doses de radiação em uma determinada lesão cerebral de tamanho restrito (menor que 2cm) em uma única tração de tratamento ou em poucas frações, em geral, menos de cinco.

EXAMES PREVENTIVOS MAIS PRECISOS

Entre os exames que facilitam um diagnóstico mais preciso estão a tomografia computadorizada e a ressonância magnética. De acordo com o oncologista, são procedimentos que permitem uma abordagem dos órgãos internos com maior resolutividade. Então podemos investigar órgãos internos não acessíveis ao exame físico, como pulmão e fígado. Isso também facilita o diagnóstico e o acompanhamento da doença, ressalta Broecker. Outro exame citado por ele é a tomografia por emissão de pósitrons (PET/CT), que usa uma glicose radioativa. Todas as células do organismo só se alimentam de glicose, mas o tumor tem uma característica de ter um metabolismo maior do que as células normais.

Então uma vez administrada essa glicose radioativa ela vai se concentrar no local que consome mais glicose e junto com isso é feito uma tomografia que localiza anatomicamente onde é que ficou essa maior captação, explica o oncologista, enfatizando que o procedimento permite que se faça um diagnóstico da localização da doença com uma precisão que antes não existia Hoje em dia, se pegar os tipos de câncer que é feito o diagnóstico, mais de 50% são curáveis, diz Broecker.

Radioterapia ou quimioterapia?

Determinar o tratamento a ser aplicado depende do tipo de tumor e do quanto de responsivo o paciente é a cada tipo de método. O oncologista Broecker diz que o mais comum é ver a associação de três técnicas: radioterapia, quimioterapia e cirurgia (todas disponíveis no Oncologia Centenário - Centro de Câncer também pelo Sistema Único de Saúde - SUS). Com essa associação, os tratamentos estão sendo menos mutilantes, ressalta. O médico comenta que o tratamento vai evoluindo aos poucos, a partir de estudos e técnicas que vão aprimorando o que já é feito. 

Junto com isso, também houve um avanço na genética, que determina quais as alterações genéticas que a doença tem, permitindo diferenciar as características de cada tumor. Broecker explica que os tumores nascem das células do próprio organismo e, com isso, carregam um código particular a cada paciente. Então quando nós falamos de um câncer de pulmão entre uma pessoa e outra, estamos falando de uma doença que teve origem em um mesmo órgão, mas na realidade as duas doenças são diferentes, porque elas vão responder de maneira diferente aos tipos de tratamento.

Quimioterapia tem de ser feita em ciclos

A quimioterapia é o tratamento feito com medicamentos, quimioterápicos e imunoterápicos, que atingem o tumor pela via sanguínea. Pode ser feito via oral, subcutânea ou intramuscular, mas o método mais comum é a administração endovenosa, em forma de soro. A forma utilizada vai depender das condições gerais da saúde do paciente, da localização e do tipo de tumor e do tipo de quimioterápico — alguns são usados com o objetivo preventivo, diminuindo o risco de reincidência da doença. A quimioterapia é feita em ciclos — normalmente de uma sessão a cada três semanas —, o que reduz danos às células saudáveis e ao mesmo tempo permite que as drogas destruam mais células cancerígenas. 
A função do remédio é destruir células que estão crescendo, com maior especificidade para algumas células, mas o remédio é burro e vai machucar todas que estão crescendo, por isso que cai a raiz do cabelo, porque cabelo está sempre crescendo, as unhas começam a mudar, a pele fica mais seca, porque tudo está sempre renovando, esclarece Broecker. A quimioterapia também diminui a quantidade de glóbulos brancos no sangue, responsáveis pelo sistema de defesa do organismo. Com isso, o intervalo entre uma sessão e outra é necessário para que sejam produzidos e mantenham a imunidade do paciente.
Luta a gente vence.


DANIELA MORAES

Tá aí uma palavra que ninguém gosta de falar, ouvir e muito menos de receber como diagnóstico: câncer. Por todo o tratamento que inclui, acontece do paciente e familiares terem dificuldade de lidar. Pois é, eu também pensava assim. Até que me vi no consultório da mastologista recebendo o diagnóstico: é câncer. E agora, o que fazer? Enfrentar, pra mim, foi e é a única opção. Não é fácil mas não é impossível. E tu descobre no dia a dia que o monstro de sete cabeças pode ser domado, e tira forças de onde tu nem imaginava pra lutar e vencer a batalha. 

Junto com a luta, as novas tecnologia se apresentam como uma grande aliada tanto para a saúde física quanto emocional. As cirurgias hoje são mais conservadoras do que eram há décadas. Medicamentos avançados diminuem os efeitos colaterais do tratamento. E foi graças a exames de imagem mais precisos que eu descobri o tumor. Prevenção, tratamento e cura passam por uma premissa colocada em teste todos os dias: vontade de lutar, de vencer, de viver.  

Daniela Moraes Editora do Jornal NH

MINIMIZAR EFEITOS COLATERAIS

Um dos grandes problemas da quimioterapia é a carência de náuseas e vômitos logo após a administração do conjunto de remédios. No entanto, a descoberta e a evolução de medicamentos vão amenizando os efeitos colaterais. Broecker cita a ondasentrona como referência, por ser uma substância que controla a ocorrência de náuseas e vômitos. Muitas pessoas creditam a este medicamento o aumento da cura do câncer porque a adesão ao tratamento ficou maior. São mudanças que vão avançando, observa. Só para a queda de cabelo é que ainda não foi encontrada uma solução, comenta o oncologista.


Tecnologia do diagnóstico ao tratamento - Inovações em equipamentos e medicamentos trazem mais conforto a pacientes com câncer 



Fonte: Diário de Canoas - Viver com Saúde - pg. 4




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Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



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