26 de janeiro de 2017
Imprimir | Indicar a um amigo Cientistas criam recauchutagem de células fora do organismo para combater a leucemia

Uma nova e arriscada modalidade de terapia tem saltado aos olhos dos médicos como uma possível cura para alguns casos de leucemia difíceis de tratar. Ela envolve uma espécie de recauchutagem (fora do organismo) de células do sistema de defesa. Após a injeção das células turbinadas, o impacto na doença é notório.

A terapia com células CAR T (com receptor antigênico quimérico) tem obtido taxas de sucesso que chegam a 90% em estudos clínicos - o tratamento ainda é experimental - com pacientes portadores de leucemias linfoide crônica e aguda. Também há relativo sucesso em testes com outros tipos de câncer, mas não tanto. As conquistas dessa modalidade de terapia da leucemia linfoide aguda, que representa cerca de 10% do total das leucemias, foi classificada como "sem precedentes" pela pesquisadora Noelie Frey, médica da Universidade da Pensilvânia (EUA). Tratamento complexo. O problema da modalidade é a complexidade, afirma o hematologista e oncologista Phillip Scheinberg.

De acordo com o especialista, não há e dificilmente haveria um protocolo de pesquisa do tipo no Brasil: "Há muito poucos locais capacitados; o tratamento deve ser feito em altas condições de limpeza". Para a recauchutagem, é necessária uma etapa chamada leucoferese, que remove do organismo as células brancas de defesa do sangue. O potencial impacto disso no organismo é severo: infecções "bobas", como uma virose, podem matar. Fora do organismo, essas células são tratadas e são transformadas, isto é, recebem um DNA exógeno. Elas são multiplicadas e passam a apresentar, em sua membrana, uma proteína quimérica, projetada para se ligar a um antígeno, no caso a molécula CD19 - geralmente presente nas célu Elas cancerosas. Mirando no CD19, a terapia com células T recauchutadas consegue se ligar às células-alvo e descarregar todo seu arsenal antitumoral, tratando a doença. No projeto do receptor quimérico também constam regiões que ficam para dentro da célula, responsáveis por essa melhor ativação dos lin-fácitos e que aumentam sua sobrevivência de maneira expressiva, potencializando sua ação. Remédio que pode matar.

O problema da terapia com as células CAR T é uma resposta inflamatória exagerada que acompanha a ação antitumoral. Essa reação pode matar, se não for controlada. "Ainda temos muito o que aprender, o efeito da terapia pode ser desastroso, se ela não for bem controlada", destaca Scheinberg. Em um estudo, Noelie e colegas resolveram tentar fracionar a dose de células para ver o balanço entre eficácia e segurança (ausência da resposta inflamatória exacerbada). A dose "normal" era de 500 milhões de células, que tinha resposta em 100% dos casos e também inflamação em todos os pacientes. Fracionado em três a dose original, em três dias seguidos, a eficácia passou a 86% e a inflamação apareceu em 66% dos casos. Uma única dose de 50 milhões de células reduziu a eficácia para 33% e a inflamação apareceu em 66% dos casos. O estudo era de fase 1: pequeno, preliminar e com poucos pacientes (46).

Um de seus objetivos era ver a segurança, e foi visto que pacientes com uma forma mais branda da doença eram razoavelmente protegidos desses efeitos inflamatórios - nenhum foi afetado enquanto 44% dos que tinham versão mais grave tiveram a complicação. Os pacientes mais graves também estão mais sujeitos à toxicidade no sistema nervoso.

A saída, afirma Scheinberg, é otimizar ainda mais o processo, além de se valer de outras moléculas para deixar o tratamento mais seguro, como o anticorpo tocilizumabe. A sobrevida após um ano ficou em 73% e 57% para os grupos menos e mais graves, respectivamente. Também está inversamente associada a melhor eficácia do tratamento a idade dos pacientes. (Folhares)



Fonte: O Sul - Caderno: Reportagem - P. 2 - Clipagem em 26/01/2017 05h10min




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Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



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