27 de novembro de 2015
Imprimir | Indicar a um amigo QUEM NÃO É VISTO NÃO É LEMBRADO - Marilice Costi
Correio do Povo 27/11/2015 p.2
Correio do Povo 27/11/2015 p.2

"LOUCO " QUE NÃO É VISTO NÃO É LEMBRADO  

Marilice Costi Mãe, arteterapeuta e arquiteta.

Causou-me apreensão a posição das entidades médicas do RS e da Coordenação da Saúde Mental do Estado do RS em relação à Parada Orgulho Louco e me senti afrontada enquanto mãe, na obrigação de me manifestar. Há pais que preferem esconder a dor – é seu direito – acreditam fazer o melhor. Isso não a torna inexistente e pode fazer com que a sociedade desconsidere a vulnerabilidade das pessoas com deficiência.

Os Direitos Humanos e a evolução da medicina psiquiátrica mudaram a vida dessas pessoas. O psiquiatra trata do seu equilíbrio químico amenizando seu sofrimento, possibilitando vínculos de afeto e socialização. Mas muito é feito por outros profissionais. A reforma acabou com o isolamento. Os pais, mesmo esgotados com a demanda no cuidado, não desejam a volta dos tratamentos hospitalocêntricos. Querem mais CAPS e mais profissionais. Internação só quando houver risco para si ou para outros. Quantos não precisaram internação devido ao cuidado na Rede de Atenção Psicossocial? 

A palavra “louco” é o problema? Semântica discriminatória? Daí o valor da RAPS de Alegrete, modelo no país. A Parada Orgulho Louco tem sua verdade. Quanto mais convivermos com as pessoas com deficiências psicossociais (transtornos mentais, autismo etc.) em eventos urbanos, mais as teremos como parte de nossa humanidade. Não é melhor comemorar por se comunicarem, enfrentarem seu transtorno, aprenderem a se enfeitar, se divertirem?

Cada um de nossos filhos é singular e não há pai ou mãe que modifique suas decisões quando eles não querem participar de um evento. Os pais sabem disso. Eles escolhem o que querem vestir, não são manipuláveis. Sabem o que é louco, denominados quantas vezes! Curatela não significa que não possuem direitos sociais de decidir e participar de um evento que os faz feliz. Curatela é para protegê-los e não para impedir que vivam em sociedade.

Ser grandioso é baixar a guarda e construir unindo forças. Devido à Desmanicominalização e ao trabalho de equipe da Saúde Mental é que nossos filhos são hoje cidadãos com voz! Apoiados pela família e por psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, psiquiatras, arteterapeutas e outros, eles resgatam sua cidadania.  Além disso, nossos filhos têm direitos estabelecidos na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da qual o Brasil é signatário desde 2006!

Olhar sempre o lado ruim não constrói. É o trabalho conjunto, onde o diálogo é permanente, respeitoso, ético, solidário e cumpridor das leis, que resulta no melhor cuidado.



Fonte: Correio do Povo, 27/11/2015 p.2




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Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



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