19 de junho de 2015
Imprimir | Indicar a um amigo O sono: um importante tempo de criação e autocuidado

Antes de começar a ler, busque uma xícara de café. Essa pauta pode dar sono. Não porque o tema é entediante, mas há 40% de chances de você integrar a parcela da população que dorme mal devido a problemas como apneia, ronco e insônia. A dificuldade de um descanso reparador tem instigado avanços na ciência. Os mais recentes serviram para reposicionar expressões consagradas como “Deus ajuda quem cedo madruga”.
– A cultura de que acordar cedo é indispensável mudou. O sono não pode mais ser deixado de lado. Sabe-se que é extremamente importante aos nossos processos mentais e biológicos, e sua ausência, um caminho que pode levar ao risco de morte – diz o neurologista Alan Christmann Fröhlich, especialista em Medicina do Sono pela Associação Brasileira do Sono.
É o que comprova uma recente publicação da Sociedade de Pesquisa do Sono e da Academia Americana de Medicina do Sono publicada no início do mês. O estudo revisou a bibliografia de mais de 5 mil pesquisas para investigar quanto tempo precisamos dormir. As conclusões mostram que, para ter uma boa saúde, um adulto a partir de 18 anos deve descansar, pelo menos, sete horas por dia. Amorcegar menos que isso, segundo Fröhlich, traz malefícios como obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, AVC, sem falar nas doenças psiquiátricas, alterações de humor, diminuição de imunidade e maior risco de infecções.
Apesar de a média ideal ser entre sete e nove horas, nem todos têm a mesma necessidade de permanecer com os olhos fechados. Alguns precisam dormir mais, outros menos. O número de horas varia de acordo com genética, idade e estilo de vida.
– A necessidade de horas de sono ocorre por adaptações fisiológicas e organização do ritmo circadiano (período de aproximadamente 24 horas em que se baseia o ciclo biológico do corpo humano). Por essa razão, os recém-nascidos dormem muito mais, pois ainda são regidos por um ciclo interno chamado ultradiano (inferiores a 20 horas) – explica a neuropediatra e pesquisadora do Instituto do Cérebro da PUCRS, Magda Lahorgue Nunes.
Da mesma forma, dormir menos ao envelhecer pode ser tanto uma questão biológica, causada pela atrofia da glândula envolvida na secreção de hormônio do sono, a melatonina, quanto ambiental ou comportamental. Mas se você não é adulto ou idoso e está dormindo além da conta, preste atenção. O sono em excesso também é um sinalizador de má qualidade do repouso. Afora os problemas comportamentais e de saúde, outros fatores que atrapalham o descanso reparador são ambientais, como a exposição excessiva a fontes luminosas. A luz branca das telas de LCD e smartphones pode diminuir em até 70% a produção de melatonina, substância que regula o ritmo biológico do corpo.
Então, antes de dormir babando com a televisão ligada ou o celular colado no rosto, lembre-se que deitar cedo e dormir seguindo indicações de especialistas pode economizar várias idas ao médico.


IMAGINAÇÃO INCONSCIENTE
Já pensou em ser um onironauta? Para quem não imagina o que esse termo significa, é o sujeito que mergulha na proposta de ter sonhos lúcidos, um navegador do sonhos. Embora a ideia de ficar consciente enquanto se dorme possa parecer estranha, um grupo de três escritores e cineastas americanos defende a ideia de que alcançar a lucidez não é apenas uma aventura fascinante, mas um método eficaz de encarar a cura, inspiração e autoconhecimento. No livro Sonhos Lúcidos – Um guia para dominar a arte de controlar seus sonhos, Dylan Tuccillo, Jared Zeizel e Thomas Peisel apresentam técnicas para explorar o subconsciente e garantem que a habilidade de sonhar pode ser lapidada. Segundo eles, tudo é uma questão de prática.
Enquanto dormimos, o corpo físicamente permanece desligado, mas a mente mantém-se ativa. Os neurônios motores param de receber estímulos em um processo chamado atonia do sono, quando os músculos ficam dormentes. Só o diafragma e os olhos mantêm sua atividade. Esses últimos, aliás, são os responsáveis por fazer a ponte entre o sonho e o mundo real, em um movimento denominado Rapid Eye Moviment (REM).
Os autores entendem os sonhos como um terreno fértil a ser explorado, quase como “o país das maravilhas das pessoas criativas”. Segundo eles, ao ter consciência durante esse fenômeno, você poderia explorar fontes incríveis de conhecimento e inspiração.
Mais de meio século antes, Freud já havia dito em sua obra A Interpretação dos Sonhos que eles são formas de realização de desejos, origem de conflitos reprimidos e desejos acumulados ao longo da vida. A grande questão que mobiliza cientistas e pesquisadores é dizer por onde caminha a humanidade durante as duas horas, em média, sonhadas todas as noites.
Já houve um tempo em que o sonho era tratado como distúrbio de ordem psicológica ou má digestão. Até que Freud o retirou da escuridão, abrindo caminho para que seu discípulo Carl Young aprofundasse a questão, tornando-se um dos grandes estudiosos do tema na humanidade.
Os primeiros registros científicos do sonho foram em 1950, na Universidade de Chicago, quando Eugene Aserensky usou eletrodos para monitorar o sono do filho e registrou momentos em que o cérebro do menino ficava desperto. Na época, ele atribuiu a diferença a um erro na máquina.


A NOITE DE SONO PERFEITA 
Terreno a ser conquistado
As pessoas já estão se dando conta de que precisam dormir. Falta descobrir que é preciso sonhar. Como um computador que passa por backups eventuais para colocar as informações em ordem, nosso cérebro usa o sonho como uma espécie de faxina mental, para limpar a memória dos excessos cometidos enquanto estamos acordados. Resultado daquilo que deixamos para trás durante o dia, o sonho orquestra os medos e desejos mais íntimos e os apresenta como uma sinfonia do inconsciente – nem sempre muito afinada. 
Sem esse recurso, não fixamos as memórias, explica o psicanalista Mario Corso. – Eles são ótimos para quebrar o discurso óbvio. O sonho é ultra egoísta. Somos sempre a figura principal. A fantasia diurna se aproxima do sonho. As pessoas são agressivas e eróticas. Sonhos são parecidos com devaneios, falam muito sobre nós, de um jeito que não somos capazes de falar – afirma. A falta desse “sono dos sonhos” causa prejuízo. 
Se a gente dorme cinco horas por noite, explica o neurologista Alan Christmann Fröhlich, a quantidade de sono profundo fica inalterada, mas a quantidade de sonhos diminui muito. Não sonhar traz prejuízos cognitivos, só ainda não se sabe porquê, explica o médico. É comum que as pessoas encontrem nos sonhos a resolução de problemas. Foi o que ocorreu com o Paul McCartney, que sonhou com a melodia de Yesterday. – Sonhar é como um filme que a gente cria dormindo. Poderíamos descobrir muitas coisas interessantes se observássemos mais – diz.
GÊNIOS NO TRAVESSEIRO
Uma emprensa chamada Podio, responsável por organizar e catalogar conteúdo, criou um curioso infográfico mostrando como 26 personalidades de diferentes áreas, como música, literatura e ciências, se organizavam diariamente. A lista permite ver que, apesar da extensa produção, criaturas talentosas como Pablo Picasso, Charles Darwin e Sigmund Freud não tinham uma rotina muito diferente da nossa quando o assunto é dormir.


FALAR E LEMBRAR
Falar enquanto dorme não é um sinal de quem está sonhando. Quando sonhamos não falamos, pois nossos músculos ficam adormecidos. Isso se chama-se sonilóquio e ocorre no estágio de sono profundo. Não lembrar do sonho também não significa que você não tenha sonhado – todos sonham enquanto dormem.


ANIMAIS SONHAM?
Durante o sono, os bichos se movem e emitem ruídos que sinalizam uma atividade mental intensa. A ciência já descobriu que os mamíferos – e as aves, em menor escala – têm sono REM, portanto concluiu-se que eles sonham de alguma maneira. O único entrave nessa pesquisa é a impossibilidade de relatos dos sujeitos – no caso, os animais. 


E AS CRIANÇAS?
O sono REM, mais propício aos sonhos, está presente em todas as idades. Mas a experiência dos bebês deve ser bem diferente, pois eles têm consciência, emoções, memória e percepção do mundo em formação. Um estudo de base populacional via internet promovido pelo Instituto do Cérebro da PUCRS irá descrever as características do sono e qual a incidência de distúrbios das crianças brasileiras.



Planeta Ciência - p. 4

Neurologia

Clipagem: 19/06/2015  07h25

 



Fonte: Zero Hora - Planeta Ciência




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Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



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