23 de setembro de 2014
Imprimir | Indicar a um amigo Alimentação - cuidado com a gordura escondida
Alimentação
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PESQUISA MOSTRA QUE, mesmo sem aparecer nas informações nutricionais das embalagens, gordura trans pode estar presente em diversos alimentos industrializados, causando prejuízos à saúde cardiovascular de quem os consome

Nem sempre o que os olhos não veem o coração não sente. Um estudo com 50 produtos vendidos no Brasil, cujos rótulos informavam conter “0g” de gordura trans, revelou um resultado assustador: o nutriente nocivo à saúde do coração aparece em grande parte deles. E, mesmo com esse flagra, os alimentos não podem ser retirados do mercado.

É que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) prevê que produtos com até 0,2 gramas (g) desse tipo de gordura por porção possam dizer que não contém o item na composição. A agência tolera até 20% de erro para mais ou menos em alguns nutrientes – entre eles, a temida trans. Com isso, a indústria alimentícia estampa em suas embalagens dizeres “zero”, “isento”, “não contém” mesmo quando, em alguns casos, o alimento contém a substância.

Conforme Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), responsável pela pesquisa, um dos problemas é que a porção indicada nas embalagens quase sempre corresponde a uma quantidade inferior ao total do pacote. No caso da bolacha recheada, por exemplo, um pacote contém cerca de 150g. Na embalagem, a informação nutricional se refere a apenas 30g, o que corresponde a cerca de três unidades do produto. Se em três bolachas é identificada a quantidade de 0,2g de gordura trans, a tabela pode ocultar esse dado. Ao comer um pacote inteiro, você pode estar ingerindo até 1g da substância sem saber.

E quando o assunto é trans, não há níveis seguros para a ingestão, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade propõe a eliminação total do consumo de gordura trans industrial – em 2013, a Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA) propôs a proibição em alimentos processados no país.

– Esse tipo de gordura tem efeito cumulativo, ou seja, quanto mais a pessoa consumir, maior a chance de desenvolver alguma doença cardiovascular – explica Ana Paula.

Anvisa admite rever regulamentação atual

A gerente de Produtos Especiais da Anvisa, Antônia Aquino, sustenta que a regulamentação da rotulagem nutricional em outros países é semelhante à do Brasil. Mas ela admite rever o índice:

– Após quase 10 anos de regulamentação no país, a Anvisa entende que existem condições para atualizar as regras atuais.

Já há um grupo discutindo as mudanças na rotulagem nutricional, conforme o Idec. Entre as propostas estão maior detalhamento sobre os tipos de açúcar presentes nos alimentos, redução na margem de 20% e a denominação de óleos e gorduras na lista de ingredientes a partir do processo empregado. Qualquer mudança, entretanto, tem de ser discutida e aprovada por todos países do Mercosul, já que a regulamentação é acertada entre os membros do bloco. O prazo para entrar em vigor é uma incógnita. Antônia explica que o assunto só será discutido após a conclusão de outros debates em andamento na Anvisa.

Para a nutricionista Tatiana Maraschin, chefe da Seção de Nutrição Clínica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o consumidor pode buscar algumas dicas na lista de ingredientes. Se a substância “gordura vegetal parcialmente hidrogenada” ou “gordura vegetal hidrogenada” e demais óleos contendo a palavra hidrogenado estiverem presentes, está comprovada a presença de gordura trans, mesmo que o rótulo destaque a ausência desse lipídio:

– Gordura trans é o nome dado à gordura vegetal que passa por um processo de hidrogenação natural ou industrial, e por isso é certo que substância estará presente quando esses lipídios estiverem entre os ingredientes.

PERIGOSO GOSTINHO A MAIS

As gorduras trans são um tipo específico de gordura formada por um processo de hidrogenação (adição de moléculas de hidrogênio) natural ou industrial. Estão presentes principalmente em alimentos industrializados – os de origem animal, como a carne e o leite, têm pequenas quantidades dessas gorduras.

PARA QUE SERVEM

Para melhorar a consistência, acentuar o sabor, deixar os alimentos mais secos, crocantes, e com maior prazo de validade.

COMO AGE NO CORPO HUMANO

CORRENTE SANGUÍNEA Eleva os níveis de colesterol LDL (ruim) e diminui os níveis do HDL (bom).

FÍGADO

Acredita-se que a gordura trans substitua a molécula de colesterol ruim, que fica livre para circular no organismo.

CORAÇÃO

Se deposita nas artérias coronárias, aumentando as chances de infarto.

ABDOME

Facilita o acúmulo de gordura na região, favorecendo o aparecimento da síndrome metabólica, que associa obesidade, diabetes e pressão alta.

ORIGEM DO NOME

O nome da gordura vêm de ”transversos” – se refere à cadeia de átomos dos ácidos graxos. Em um óleo encontrado na natureza, os átomos estão distribuídos em posição paralela. Quando submetidos ao tratamento industrial de hidrogenação, a estrutura química é modificada, fazendo com que os ácidos graxos fiquem com os átomos em disposição diagonal.

Fontes: Tatiana Maraschin, chefe da Seção de Nutrição Clínica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e Graciele Tombini, endocrinologista do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre

CERCO À TRANS

-Desde 1995, a OMS preconiza o controle no consumo de alimentos com ácidos graxos trans.

- Em 2004, a organização indicou não existir recomendação de níveis seguros de ingestão da substância.

-Também em 2004, a Dinamarca considerou a gordura uma substância ilegal no país.

-O Guia Alimentar para População Brasileira, de 2005, restringe o consumo de trans a 1% do valor energético diário, o que corresponde a aproximadamente 2g por dia em uma dieta de 2 mil calorias.

-Em 2008, o Estado americano da Califórnia se tornou o primeiro do país a aprovar lei proibindo restaurantes e comerciantes de alimentos de usar gorduras do tipo trans. Poucos anos depois, Nova York, Filadélfia e Seattle passaram a proibir a substância.

-Em 2008, a Suíça também passou a proibir alimentos com grandes quantidades de trans.

-Em 2013, a Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA) propôs a proibição de gorduras trans em alimentos processados em todo país.

Clipado em 23/09/2014 - 07h20



Fonte: Zero Hora, Sua Vida Pág.28




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Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



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