12 de março de 2014
Imprimir | Indicar a um amigo Hospitais testam estimulação elétrica contra depressão, drogas e fibromialgia

Hospitais testam estimulação elétrica contra depressão


Santa Casa e Hospital do Coração avaliam técnica não invasiva que ativa nervo no rosto com aparelho portátil. E em outros estudos verificam a eficácia do tratamento contra a dependência do crack e a fibromialgia.


Dois grandes hospitais de São Paulo estão testando a estimulação elétrica de um nervo localizado no rosto para o tratamento da depressão, da fibromialgia e da dependência de crack. O procedimento experimental é indolor e não invasivo.


Na técnica, dois eletrodos conectados a um marca-passo são colocados na testa do paciente, região do nervo trigêmeo, que passa pela mandíbula, pelo maxilar e pela região próxima aos olhos.


Os eletrodos, então, enviam ondas elétricas até as áreas do sistema nervoso central que regulam o comportamento. Os neurônios reagem ao estímulo e voltam a funcionar em níveis normais.


No HCor (Hospital do Coração), o procedimento está sendo testado em 14 pacientes com depressão moderada e nos próximos meses mais 70 serão recrutados.


"Esse estímulo altera o fluxo sanguíneo e os impulsos neuronais com benefícios visíveis", diz Antônio De Salles, coordenador do Núcleo de Neurociência e Neurocirurgia do HCor.


Já na Santa Casa, os testes com a estimulação do nervo trigêmeo incluem, além da depressão, a fibromialgia, doença caracterizada por dores em todo o corpo, e a dependência do crack.


Lá, a técnica foi aplicada em dez pacientes com depressão severa que não respondiam mais a medicamentos. Foi o caso da funcionária pública Ivone Pereira Lopes, 55.


Após o tratamento experimental com eletroestimulação durante duas semanas, parou de usar remédios, não sente mais dores pelo corpo nem sinais da depressão.


A fase de manutenção da terapia, a partir deste mês, será mais inovadora: após receber orientações, os pacientes farão em casa a eletroestimulação com aparelhos portáteis cedidos pelo hospital.


Segundo Pedro Shiozawa, coordenador do Laboratório de Neuroestimulação Clínica, ligado à Santa Casa, todos os pacientes do estudo se recuperaram da depressão após o tratamento.


CONTRA A FISSURA


Como a técnica deu bons resultados nos casos de depressão e transtorno da ansiedade, pesquisadores da Santa Casa decidiram usar o tratamento em usuários de crack, especificamente para controlar a vontade incontrolável de consumir a droga.


Com os eletrodos instalados, o usuário é colocado para assistir a um vídeo com imagens da droga que, normalmente, provocam fissura. Segundo os primeiros relatos, com as ondas elétricas, o desejo pela droga não aparece.


Shiozawa ressalta que não se trata de cura, e sim de uma ferramenta para ajudar os usuários que ainda precisa ser testada em mais pessoas antes de ser proposta como alternativa de tratamento.


Entre as técnicas de neuroestimulação, apenas a magnética transcraniana foi aprovada pelo Conselho Federal de Medicina para depressão uni e bipolar, alucinações auditivas em esquizofrenia e planejamento de neurocirurgia. Para De Salles, a terapia ainda é pouco usada, devido à dificuldade de acesso e ao desconhecimento.


Sua principal vantagem, afirma, é apresentar menos efeitos colaterais que os medicamentos.






Deseja divulgar seu evento?

Clique aqui e preencha o formulário! É simples!





Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



Aqui outros depoimentos





Produtos Culturais e Serviços Ltda. - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - Brasil - Fone: +55 51 3508.8009 - [email protected]