16 de dezembro de 2013
Imprimir | Indicar a um amigo Cuidadores de aidéticos - Radiação contra o vírus da Aids

Cientistas dos EUA sugerem que terapia semelhante à usada em pacientes com câncer seja administrada em soropositivos 

Um dos maiores desafios atuais na busca pela eliminação do HIV do organismo de pessoas sob tratamento está nos chamados reservatórios do vírus. Eles são compostos por células infectadas afastadas da corrente sanguínea e com o micro-organismo em estado latente. Juntas, as duas condições fazem com que essas células não sejam atingidas pelos antirretrovirais, contribuindo para a permanência da infecção. Diversas estratégias para atingir esses “santuários” são formuladas e testadas em todo o mundo. Entre os grupos de cientistas empenhados nessa busca estão os pesquisadores da Escola de Medicina Albert Einstein, em Nova York (EUA). Em apresentação no Encontro Anual da Sociedade Radiológica da América do Norte (RSNA, em inglês), ontem, eles mostraram experimentos iniciais bem-sucedidos de erradicação do vírus com a radioimunoterapia, atualmente usada no tratamento contra o câncer.

Com as terapias antirretrovirais existentes, é possível reduzir a carga viral na corrente sanguínea de pacientes a níveis indetectáveis, inclusive com o bloqueio da replicação do HIV. Mas apenas essa ação não é suficiente para alcançar a cura total do indivíduo. Se a medicação for interrompida, reservatórios do vírus em estado latente localizados principalmente no intestino, no cérebro e no sistema imunológico tendem a se replicar e “reativar” a infecção. “Num paciente com HIV em tratamento, as drogas suprimem a replicação viral, o que significa que o número de partículas virais na corrente sanguínea de um paciente se mantém muito baixo. Entretanto, antirretrovirais não podem matar as células infectadas pelo HIV”, esclarece a principal autora do estudo, Ekaterina Dadachova, professora de radiologia, microbiologia e imunologia.

Ela acrescenta que qualquer estratégia que busque a cura da infecção deve abarcar uma forma de eliminar totalmente o vírus. Isso inclui as células infectadas por ele, além de apenas o vírus, como fazem os antirretrovirais. “Na radioimunoterapia, os anticorpos se ligam às células infectadas e as matam por radiação. Quando a terapia com antirretrovirais e a radioimunoterapia são usadas juntas, elas matam o vírus e as células infectadas, respectivamente.” Nessa direção, Ekaterina e a equipe de cientistas liderada por ela usaram a radioimunoterapia em amostras de sangue de 15 pacientes infectados pelo vírus da Aids.

Para isso, foram produzidas em laboratório moléculas com um anticorpo monoclonal projetado especificamente para destruir uma proteína expressa na superfície das células infectadas e um radionucleotídeo chamado bismuto-213. Segundo Ekaterina, a estratégia possibilitou que a radioimunoterapia eliminasse as células infectadas de forma profunda e específica. “O radionucleotídeo que nós usamos entregou radiação apenas para as células infectadas pelo HIV, sem danificar as células vizinhas.”

Resistência cerebral Esse, porém, não é o único desafio a ser ultrapassado para a erradicação do vírus. O sistema nervoso central (SNC) é um dos locais mais atingidos por esses reservatórios e o único que tem uma barreira física natural que o separa do restante do organismo, chamada barreira hematoencefálica. Ela existe para proteger o órgão de substâncias tóxicas ou micro-organismos que podem estar em circulação no meio sanguíneo.

“O tratamento antirretroviral penetra apenas parcialmente na barreira hematoencefálica, o que significa que, mesmo se um paciente está livre de HIV de forma sistêmica, o vírus ainda é capaz de atingir o cérebro.”Ao mesmo tempo em que protege, a barreira hematoencefálica impede que alguns medicamentos penetrem no tecido cerebral e medular, dificultando o tratamento de tumores, por exemplo. No caso da radioimunoterapia proposta por Ekaterina Dadachova, ela pode dificultar que o anticorpo radiomarcado atinja as células infectadas.
A situação foi investigada pela pesquisadora utilizando um modelo in vitro da barreira humana. O experimento feito em laboratório mostrou a eficiência da molécula radiomarcada em atingir os tecidos do SNC, matar as células infectadas e não causar qualquer dano evidente para a barreira. “Além disso, muitos pacientes em terapia antirretroviral sofrem de transtornos neurocognitivos associados ao HIV, como o cérebro se torna um reservatório para a infecção. Assim, as drogas que podem entrar no SNC e erradicar a infecção são necessárias”, justifica.

Linfócito clonadoEsse tipo de anticorpo é muito conhecido na área de pesquisa de combate aos cânceres. Isso porque ele é capaz de se ligar às células de defesa T, "destravando" o sistema imunológico humano para que ele passe a reconhecer e atacar as células tumorais. Anticorpos monoclonais, ou mAb, surgem a partir de um único linfócito, que é clonado e imortalizado, produzindo sempre os mesmos anticorpos em resposta a um agente patogênico. Esses anticorpos são iguais em estrutura, especificidade e afinidade, o que os torna mais eficientes.

Palavra de especialista - Ricardo dias, integrande daSociedade Brasileira de Infectologia

Possibilidades de cura

“Existem dois grandes desafios modernos com relação à infecção por HIV que estão mais ou menos restritos ao mundo desenvolvido. Um é eliminar totalmente o vírus das pessoas e o outro é diminuir o processo de envelhecimento acelerado provocado por ele. Os obstáculos para isso são, primeiro, a multiplicação contínua e acelerada do vírus; e, segundo, que o remédio não atinge algumas células. No segundo caso, temos duas opções: ou fazer o vírus sair dessa célula, como uma das abordagens para curar as pessoas, ou matar essas células. O que me parece é que esse estudo traz uma nova alternativa para eliminar essas células. Acho que essa abordagem pode ser interessante. Definitivamente, é uma estratégia que passa pela possibilidade de cura da infecção.”  

Clipagem
Estado de Minas
Geral 
Clipado em 04/12/2013 
06h00






Deseja divulgar seu evento?

Clique aqui e preencha o formulário! É simples!





Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



Aqui outros depoimentos





Produtos Culturais e Serviços Ltda. - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - Brasil - Fone: +55 51 3508.8009 - [email protected]