05 de novembro de 2013
Imprimir | Indicar a um amigo Cuidar de empregados aumenta a produtividade

Para especialistas, promover a felicidade no ambiente de trabalho beneficia tanto os empregados quanto as empresas
Um relacionamento respeitoso entre colegas de trabalho, um ambiente limpo e aconchegante, a valorização do funcionário como trabalhador e como pessoa. Esses elementos podem até parecer banais dentro de uma empresa, mas não o são. Todos promovem o bem-estar, o que garante um melhor desempenho dos funcionários e, consequentemente, da própria empresa.
A boa convivência dos superiores com seus empregados é considerada, por especialistas, como extremamente importante para o bem-estar no ambiente de trabalho. “Em uma empresa, normalmente, a situação que mais promove mal-estar com os funcionários é uma má relação com seus gestores”, garante Raul Rosário, consultor da Fundação Universidade-Empresa de Tecnologia e Ciências (Fundatec). É preciso manter uma relação profissional madura, voltada para resultados e, principalmente, respeitosa. Ser tratado com falta de respeito, diz Rosário, “é uma das coisas que mais fere uma pessoa e que mais faz com que se sinta mal dentro de uma empresa”.

A relação mais próxima com os gestores também faz com que o empregado se sinta mais valorizado. “O bem-estar está muito voltado a questões emocionais”, afirma a vice-presidente de desenvolvimento humano e inovação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS), Crismeri Correa, salientando que, por isso, o respeito ao outro, a gentileza e o reconhecimento são valores importantes nas relações de trabalho.

A produtividade dos funcionários também depende do bem-estar. Quando as pessoas se sentem mais confortáveis, seu trabalho rende mais. Além disso, as faltas tendem a diminuir. O Sistema de Saúde Mãe de Deus adotou, em janeiro de 2012, um programa para melhorar a qualidade de vida dos funcionários e viu cair em 20% os afastamentos relacionados à saúde mental. Chamado Bem-Estar Emocional, o programa visa mitigar os efeitos de um ambiente que expõe os trabalhadores a sentimentos como sofrimento, dor e perda.

Para isso, dá atenção a questões psicológicas, organizacionais, biológicas e sociais. “Vai muito além de um programa relacionado a cuidar do cuidador porque tem a função de acolher os funcionários que atuam na área hospitalar para que tenham um momento de escuta. Se necessário, é feito o encaminhamento para uma rede de apoio de saúde mental”, explica Guilherme Machado, coordenador corporativo de recursos humanos do Mãe de Deus.

O serviço conta com médico do trabalho, psicóloga institucional, assistente social e consultores internos de recursos humanos que atendem desde a gerência até treinees. De janeiro de 2012 até março deste ano, já foram atendidos 414 funcionários, 17,2% do quadro do hospital. A adesão comprova que “existe na área de saúde uma necessidade grande desse tipo de programa”, garante Machado.

A procura pelo programa é espontânea, feita por agendamentos. No entanto, os funcionários também podem ser encaminhados por suas chefias, pelos consultores de RH ou médicos de trabalho se for identificado algum sinal de que precisa de apoio. Planejado para ser de longa duração, o projeto está indo para sua segunda fase, onde será feito o diagnóstico setorial para identificar os problemas específicos de cada área.

Conflitos também podem ser úteis

Resolver conflitos é parte importante para o bem-estar nas empresas. Primeiro, é preciso entender que conflitos não são necessariamente uma coisa ruim. A divergência de ideias também pode ser fonte de soluções. “Através da não concordância, podemos gerar novas ideias”, destaca Crismeri Correa, da ABRH-RS.

Dificuldades de relacionamento, falta de conhecimento sobre assunto ou problemas na divisão de poder são alguns dos motivos que geram conflitos no trabalho. Para contorná-los, o primeiro recurso é a escuta. Isso permite ter mais pontos de vista sobre um problema, evitando que se pense somente em um fato isolado e não em todo o contexto – mas, para isso, é preciso também ser capaz de mudar suas próprias opiniões. Outro fator de destaque é a diferença entre gerações. Como os mais novos possuem uma educação mais digital e um pensamento menos linear, apresentam ideias diferentes dos mais antigos. “Isso ajuda cada um a pensar sobre a linha de pensamento do outro”, acredita Crismeri.

Apenas bons salários não garantem a retenção dos profissionais

“Bem-estar dá lucro”, afirma Raul Rosário. Principalmente se a retenção de funcionários for importante para a empresa. A felicidade dos trabalhadores é um elemento de grande importância para que as companhias mantenham os funcionários em seus quadros e garantam uma boa produtividade. Só um bom salário não assegura a retenção – ele faz parte do bem-estar, mas não garante sozinho a satisfação do trabalhador. “O salário não é um elemento motivador, mas a falta dele desmotiva. Não é só com salário que eu seguro as pessoas”, diz Rosário.

Para o consultor, os empresários ainda não aprenderam a reter funcionários, principalmente pelas mudanças por que o mercado de trabalho passou nos últimos anos. “Na história do Brasil, foi muito comum as pessoas permanecerem na empresa não por gostarem, mas porque não tinham outro lugar pra ir. Por isso, muitos empresários não tinham essa preocupação”, afirma Rosário.

Valorizar o funcionário é um importante meio para mantê-los nas empresas. “As pessoas ficam dentro das organizações quando elas se sentem importantes fazendo aquilo que elas fazem, quando elas se sentem escutadas, quando elas se sentem realmente fazendo parte daquela equipe”, esclarece Crismeri Correa.

Quando é bem tratado, o funcionário acaba realizando um trabalho mais qualificado. “É importante que o empregado perceba que o empresário o respeita”, diz Rosário. Esse cuidado passa pela atenção aos problemas dos trabalhadores fora da empresa. Para Rosário, a empresa deve oportunizar meios de solução e apoio, mas não interferir diretamente nas dificuldades – e a iniciativa deve ser do próprio funcionário. “Mas a questão de como vai ser a gestão das pessoas está essencialmente relacionada a como o dono enxerga as pessoas”, pondera.

Visando auxiliar na resolução dos problemas pessoais de seus funcionários, a RGE de Caxias do Sul implantou, em 2008, um programa chamado Fale Comigo. Por telefone, em qualquer horário, o empregado recebe atendimento sigiloso de psicólogos e assistentes sociais. Após a avaliação do caso, a empresa pode encaminhar o funcionário para algum profissional competente. A resolução das dificuldades reflete em ganho de qualidade de vida e melhoria no ambiente de trabalho, o que impacta positivamente no desempenho dos funcionários.

Clipagem: 04/11/2013 - 05h30m 
Fonte: Jornal do Comércio - Economia - pág.15 






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Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



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