29 de outubro de 2013
Imprimir | Indicar a um amigo Cuidados Paliativos e Câncer

O câncer é considerado um problema de saúde pública em todo o mundo. Exposição a fatores de risco, tais como tabagismo e estilo de vida, genética (em apenas 10% dos casos) e envelhecimento da população são as principais razões para que os casos sejam crescentes. No Brasil, é a segunda causa de morte por doença. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de aproximadamente 520 mil novos registros em 2013, e a Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê cerca de 12 milhões de mortes por câncer até 2030.


Apesar de a possibilidade de cura ser alta em vários tipos de câncer, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente, é preciso levar em conta que, no decorrer do tratamento, a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia podem não mais ter indicação ou deixar de fazer efeito. Quando é essa a situação, muitos pacientes podem conviver com a doença fazendo o controle dos sintomas físicos e tendo suporte nas questões psicossociais relativas à doença.


Nesse momento, os pacientes necessitam de uma abordagem especializada em cuidados paliativos. Trata-se de assistência promovida por equipe multidisciplinar, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida do paciente e seus familiares, por meio da prevenção e alívio do sofrimento e tratamento da dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais.


Os centros ou serviços que prestam cuidados paliativos, quando conseguem aliar as necessidades de um hospital à hospitalidade, ambiência e a disponibilidade de tempo de uma casa, chamam-se hospices — um conceito e uma filosofia, mais do que um local específico, que prepara a família para receber um paciente na fase final da doença. O objetivo é “desospitalizar” o paciente, levá-lo para o contato com a família para tornar sua vida mais digna e autônoma.


O St. Christopher’s Hospice, fundado em 1967 no sul de Londres, é considerado o precursor do movimento moderno dos cuidados paliativos. Em seguida, acompanhando discussões sobre ética da relação médico-paciente e questões relacionadas ao fim da vida, surgiu a ideia de propor a internação domiciliar, outro pioneirismo do St. Christopher’s Hospice, em 1969. Em 1970, surgiu o serviço do acompanhamento do luto. O St. Chirstopher’s mantém, atualmente, por ano, em média 500 pacientes em regime de internação domiciliar e uma unidade de internação dispondo de 48 leitos, com média de permanência de 14 dias e com 40% de altas.


Segundo a Organização Nacional de Hospice e Cuidados Paliativos, dos Estados Unidos, estima-se que, em 2011, das 2,513 milhões de mortes no país, 1,059 milhão ocorreram em ambientes de hospice, o que equivale a 44,6% do total de mortes.


No Brasil, na década de 1940, o médico Mário Kroeff criou um serviço que atendia pacientes carentes com câncer em estágio avançado. Mas foi a partir da década de 1980 que surgiram unidades ou centros de cuidados paliativos no Brasil, a maior parte vinculada ao tratamento de pacientes com câncer e/ou a centros de tratamento de dor crônica, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Atualmente, são cerca de 70, sendo o Hospital do Câncer IV, do Instituto Nacional de Câncer, o maior deles.


A Fundação do Câncer está trabalhando no projeto de construção, num terreno em Vargem Pequena, no Rio de Janeiro, de um hospice. É um projeto de R$ 20 milhões, incluindo terreno, edificação e obra, cujo término está previsto para 2014. Parte dos recursos foi possível graças a doações feitas à fundação. Estão em curso negociações com o poder público para viabilizarmos a possibilidade de atendermos os pacientes do SUS.


A estimativa é atender a 800 pacientes anualmente, atendimentos que podem ser triplicados com o apoio e a assistência a suas famílias. Nossa intenção é atender pacientes oncológicos oriundos de hospitais públicos que estão fora de possibilidade de tratamento curativo, seguindo orientação da Organização Mundial da Saúde que, em 2002, publicou dois documentos sobre o tema e recomendou cuidados paliativos como estratégia de ação em sistemas nacionais de saúde.


Esperamos contribuir para que pacientes sem possibilidade de cura possam ter um fim de vida digno, num ambiente cujo projeto arquitetônico privilegia o descanso, o acolhimento e oferece uma atmosfera de serenidade, com jardins, mobiliário confortável, música e uma vista prazerosa. Tanto para eles quanto para suas famílias.



Fonte: Correio Braziliense - Opinião - Pág. 17




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Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



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