26 de janeiro de 2011
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Local de atendimentos antes das enchentes.
Local de atendimentos antes das enchentes.

Correspondência de um Engenheiro do SES-RS/CEVS/DVAS/NEAAS

 

- 21/01/2011

 

            Estou em Nova Friburgo e aproveito um modem emprestado porque não temos ainda o adequado acesso à internet. Esta cidade foi escolhida por ser a mais atingida e onde se encontram os núcleos de comando das diversas áreas envolvidas.
O trabalho que estamos realizando aqui tenta se encaixar, na medida do possível, dentro da lógica de resposta prevista na Gestão de Risco, de que tanto se fala na nossa área de atuação no Centro de Vigilância Sanitária.
            Minha função dentro da equipe do Ministério da Saúde, que está atuando aqui, é avaliar as condições de funcionamento dos estabelecimentos de saúde atingidos pelas enxurradas e deslizamentos. Há necessidade de relatórios diários, completos e concisos para a tomada de decisões das diversas esferas de comando. As reuniões para explicações e esclarecimentos são constantes, o que traz certa angústia, já que há muito trabalho de campo a ser feito. Nós, do NEAAS, temos formulários para a avaliação rápida e para a detecção de vulnerabilidades da rede, mas foi preciso fazer uma adequação de campo para atender às necessidades do evento.
            Até agora, foram quarenta verificações, principalmente em pequenas unidades de saúde, quase todas em localidades distantes e de difícil acesso. Em Bom Jardim, por exemplo, para visitar cinco estabelecimentos de saúde, foi necessária a utilização de helicóptero. A cidade está isolada e não há forma de acesso por estradas. Ouvi dizer que um batalhão do III Exército está vindo do sul com pontes para resolver o problema.
            Encontramos postos de saúde isolados, sem assistência farmacêutica, sem equipe de atendimento, sem água para consumo humano e sem energia elétrica. Em alguns casos extremos, agentes comunitários estão usando água da chuva sem qualquer tratamento, que corre pelas encostas, para abastecer os reservatórios dos estabelecimentos de saúde. Isto está sendo superado aos poucos com a atuação de equipe do VIGIÁGUA, LACEN e FUNASA.
            Uma das maiores dificuldades é que médicos e enfermeiros, principalmente, vivem em cidades próximas e não tem acesso por causa das barreiras (deslizamento de encostas), muitas estradas ficaram interrompidas, não há possibilidade de atuação nos postos de atendimento. Nestes casos, entramos com a remontagem da equipe, através convocação e remanejo de profissionais de todo o Brasil (voluntários, servidores da marinha, aeronáutica, MS, FIOCRUZ, SAMU, polícia militar e muitos outros). É difícil a coordenação e estruturação da logística para tanta gente, mas, parece que, aos poucos, está se criando uma rotina de operação, colaboração e delegação de funções parecida com um COE (Centro de Operações de Emergência). Vamos indo, pois recursos não faltam.

            O MS promoveu uma capacitação relâmpago para o pessoal da Vigilância de Nova Friburgo sobre abrigos provisórios, devido a isso, já temos dados de aproximadamente cinquenta abrigos informando faixas etárias, enfermidades crônicas, assistência farmacêutica, qualidade da água, higiene, alimentação, órfãos, etc.
Descobri, viajando por comunidades isoladas, que a população local monta, por conta própria, seus abrigos. Há um trabalho para detectá-los e adequá-los aos padrões regulares.

 

            Eng. Paulo Mota






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Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



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