30 de outubro de 2012
Imprimir | Indicar a um amigo Falta de leitos psiquiátricos lota emergência

A reforma psiquiátrica no Estado, que recentemente completou 20 anos, trouxe benefícios no tratamento de pessoas que sofrem com doenças mentais, sendo o principal deles o fechamento dos antigos manicômios. Contudo, a substituição progressiva dos leitos nos hospitais psiquiátricos por uma rede de atenção na área diminuiu as opções de quem busca cuidados. 

 


Na manhã de ontem, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) constatou uma situação bastante grave no Pronto-Atendimento Cruzeiro do Sul (Pacs), na zona Sul da Capital. Apenas um psiquiatra atendia a 23 pacientes, em sua maioria usuários de crack. Edson Prado Machado, um dos dirigentes do Simers, afirmou que a capacidade do local é para dez pacientes. 
O local tem 14 leitos de observação, mas a recomendação é não chegar até a quantidade máxima devido às características dos doentes. “Uma pessoa que não está em surto está convivendo com um psicótico, que oferece risco de agressão. O atendimento acaba não sendo o adequado, pois o número de pessoas é muito grande para apenas um médico”, afirma. 

 


Segundo Machado, outro problema constatado no local é que existe apenas uma ambulância para fazer todas as remoções do Pacs e não apenas do setor psiquiátrico. Para o dirigente, todo este problema decorre da reforma psiquiátrica, que fechou os hospitais especializados. “Essa decisão foi equivocada e irresponsável, porque jogou na rua aqueles pacientes que precisavam de cuidados especiais. Os hospitais gerais não têm, em sua maioria, estrutura para atender a esta área. O Hospital Espírita é o único em sua essência voltado para esta especialidade”, explica. 

 


De acordo com Machado, o que falta para sanar o problema é uma política de saúde mental que vislumbre o paciente como um ser humano em sua integralidade, acolhendo-o totalmente. Segundo dados do Simers, em quase 20 anos, foram fechadas mais de 60% das vagas psiquiátricas do Sistema Único de Saúde (SUS). 

 


Além disso, o sindicato acredita que a carência de médicos está ligada às dificuldades da estrutura de atendimento, motivo pelo qual os profissionais têm se exonerado, diante da falta de condições para o exercício da psiquiatria. Machado acredita que esta situação de superlotação constante das emergências tem ocorrido porque o governo do Estado está lidando de forma irresponsável com o problema. 

 


“A Constituição prevê que 12% do orçamento sejam repassados para a saúde, e o Estado aplica apenas 6%, como foi no ano passado. Com essa porcentagem, fica muito difícil. Faltam leitos e sobram pessoas nas emergências porque o governo não cumpre a lei”, critica ele. Após a visita ao Pacs, o dirigente do Simers foi até a Secretaria Municipal de Saúde para conversar sobre o caos encontrado. 

 


Uma reunião entre o sindicato e a secretaria ficou agendada para o dia 6 de novembro. O secretário municipal da Saúde, Carlos Henrique Casartelli, informou que no momento da visita havia dois médicos atendendo na ala e não apenas um como disse o sindicato. 

 


“A escala fecha perfeitamente com dois médicos. A superlotação ocorreu porque os profissionais que estavam trabalhando não colocaram os pacientes no sistema informatizado. Se estes profissionais tivessem ligado também para a Central de Leitos, não existiria a lotação, pois eles solicitariam a transferência das pessoas”, explicou. 



Fonte: Jornal do Comércio - Geral | Pág. 24




Deseja divulgar seu evento?

Clique aqui e preencha o formulário! É simples!





Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



Aqui outros depoimentos





Produtos Culturais e Serviços Ltda. - Bairro Farroupilha - Porto Alegre - Brasil - Fone: +55 51 3508.8009 - [email protected]