23 de junho de 2013
Imprimir | Indicar a um amigo O abraço, mais que acolhimento!

Entrou no Centro de Saúde como qualquer mãe. O bebê tinha mais de um ano. Desproporcionalmente grande. Olhos fixos nela, boca aberta, nenhum dente, nem um grunhido. Bem agasalhado, vestia luvas cobrindo talvez deformações. A mulher pediu para descansar e acomodou-se sem conforto no banco de madeira sem encosto. A auxiliar deu as gotinhas, mas a criança não deglutiu. A mãe o acarinhava pedindo que engolisse. A cabeça dele muito grande. Um molusco ganhando colo. Muitos olhos eram compelidos naquela direção. Mas os que olhavam os dois não queriam ver de verdade. A mãe demonstrava apenas cansaço. O direito de sentir? Ser cuidada? Franzina e sorridente, vida e morte preencheram a sala de espera. O amor incondicional. Levantou-se poucos minutos depois de certificar-se que a vacina fora deglutida. Desceu a escadaria de poucos degraus e seguiu pelo passeio público com seu fardo.

 

Marilice Costi (Dia de Vacinação, 2005)

 

Referência do artigo:COSTI, Marilice. O abraço, mais que acolhimento. In: Tommasi, Sonia Bufarah (org.). Arteterapeuta, um cuidador da psique. São Paulo: vetor, 2011. p. 119-136.






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Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



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