21 de junho de 2012
Imprimir | Indicar a um amigo Ovelhas Desgarradas? Vinde a mim as Criancinhas!

Negar a comunhão a um autista é lastimável e entristece! Muitos cuidadores já tiveram acesso negado em escolas, clubes, em tantos lugares. No entanto, é importante trazer a público o direito dos deficientes mentais serem aceitos inclusive nos cultos religiosos.  O que se pode construir com o ocorrido? Tanto que meus pais me ensinaram, que a profissão me abriu os olhos e a vida me confirmou: a necessidade de olharmos nas duas direções para compreender melhor: na da família e na do líder da comunidade religiosa, neste caso, o padre.

Ao olhar os familiares, a dor pela expectativa não cumprida ao lhe ser negado o sacramento que ”congrega todos ao redor da mesa, na distribuição do pão”, o acesso ao sentimento de humanidade, o recebimento do “corpo de Cristo”.

Tal sentimento de rejeição passa a ter enorme importância devido à sua representatividade social vinda de quem deveria mostrar o caminho. O líder, que pressupõe-se que tenha sabedoria para cuidar de suas ovelhas desgarradas.

Meu filho especial com mais de quarenta anos foi crismado pelos seus vinte anos e comungou. Lembro o quanto foi difícil, mas depois, o padre disse: que pecado tem este menino?  Meu eterno menino. E por isso, entendo a dor desses pais, dor que se amplia porque reforça as anteriores de rejeição em creches, em escolas, em clubes, o comum de quem tem um filho singular. Não apenas de quem é pai de autista.

Ao olhar para o padre, um ser humano que foi infeliz no seu papel,  pelo seu descuido com a família  de sua paróquia, pelo seu despreparo, pela falta de empatia com os pais ao rejeitar seu filho, porque é assim que todos sentem. A sua visão distanciada do "vinde a mim as criancinhas", é um passo ao contrário do esforço que a Igreja vem tendo para agregar suas ovelhas.

Enquanto pais, esperamos que a Igreja, com este fato, abrace a causa de tantas pessoas singulares, que considere a dor desses cuidadores, que compreenda que, o fato é muito mais do que negar o acesso de um autista ao sacramento, mas o descuido com o investimento religioso e afetivo dos pais, com a sua necessidade de ser parte da comunidade. Pais iguais aos outros! Muito mais sensíveis e cansados, muito mais necessitados de acolhimento e que precisam compartilhar sua vida e desejam dar também, tudo o que, a uma criança sadia, seria muito mais fácil de dar.

Marilice Costi é escritora, arteterapeuta e arquiteta e editora-chefe da revista O CUIDADOR.


Confira a matéria da Zero Hora: "Comunhão de adolescente com autismo causa polêmica em Bom Princípio"






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Palavras de Moacyr Scliar

Na qualidade de profissional da área da saúde, tenho a maior admiração por "O Cuidador", bela publicação editada por Marilice Costi que preenche, com sensibilidade e competência, uma lacuna: aquela representada pela necessidade de amparar os que cuidam de pessoas com limitações. Este periódico é um benefício para toda a sociedade.



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